Degravação e Transcrição de Áudio para o Judiciário

Degravação, o que é, e qual a diferença com transcrição de áudio?

Degravação é um tipo de transcrição de áudio bem específico com finalidade judicial. Consiste no processo de anotar as falas de uma pessoa exatamente da forma como foi dito pelo alante.

logo degravação e transcrição imagem

Exemplo de degravação:

João: Cês viu? Bastou nós simpresmente prestá bastante atenção, tava ali descansano quando tudo aconteceu.

A frase acima é como alguém poderia falar e a degravação é o ato de anotar conforme foi dito, constituindo-se em uma transcrição literal (ipsis litteris ou ipsis verbis).

A anotação de certa forma radical da maneira como foi falada é o que os policiais fazem ao degravar as escutas telefônicas, que de tempos em tempos tem que ser apresentadas ao delegado, justificando a continuidade de um grampo telefônico.

Falantes

Falantes são todos os produtores de um discurso, relevantes ou não ao processo judicial. Em nossas degravações anotamos todas as falas presentes que forem claramente audíveis.

Normalmente os falantes são apresentados pelo nome.

Paulo: Fala alguma coisa.

João: Faz uma réplica.

Paulo: Retruca.

João: Faz a tréplica.

Mas eles poderão também ser representados através de códigos que podem identificar os falantes por uma legenda no início da transcrição/degravação:

P1-P9: Falantes protagonistas

H1-H9: Vozes masculinas

F1-F9: Vozes femininas

H0 ou F0: Vozes presentes não identificadas

A experiência tem mostrado que a codificação pode ajudar a apresentar um texto mais limpo, propício para advogados fazerem suas anotações em defesas ou acusações.

Turno de fala

Qualquer som que represente uma interação entre falantes que mereça ser registrado é considerado como turno. Esse turno pode representar uma fala ou alguma anotação de som ou evento, ou ainda certo comentário de transcritor que tenha pertinência.

Por exemplo, suponha a degravação de uma briga de casal.

F1: Seu desgraçado ((gritou)).

((silêncio))

((crás))

H1: Quê que é isso, muié? Cê tá loca? Tu quase me acerta com esse copo, para com isso. ((aos gritos))

No exemplo acima as palavras entre parênteses duplos se referem a onomatopeias ou comentários do transcritor/degravador.

Assim, “((crás))” é o som que ouvimos e representamos como onomatopeia.

Já “((gritou))” e “((aos gritos))” são comentários, elementos que ajudam a representar a dinâmica do diálogo durante a leitura.

A onomatopeia “((crás))” poderia também ser apresentada como “((vidro quebrando))” ou “((copo quebrando))”, já que é possível inferir que o objeto arremessado tratava-se desse utensílio, pois o próximo turno permite essa dedução.

A onomatopeia “((crás))” por si só já representa um registro de uma ação que gerou um som, constituindo-se em turno, mesmo que não tenha havido uma fala a ser apresentada. Em nosso entender, “((crás))” faz parte do “diálogo” e merece ser registrado, embora não sejam palavras mas sim, constitua um evento digno de nota. Seu registro enriquece a degravação/transcrição.

Outro evento digníssimo de nota é o registro de um longo intervalo de silêncio. Testemunhamos que “((silêncio))” desta forma anotada com parênteses duplos também se constitui em resposta efetiva, portanto merece em certos momentos um turno específico, apresentando-se como resistência do falante, profunda emoção ou ainda qualquer outro motivo somente perceptível na análise do discurso.

Incompreensões

Incompreensões são muito frequentes durante o processo de degravar/transcrever.

Nós apresentaremos as incompreensões por “(inint)” e marcaremos o tempo da seguinte forma:

(inint) [02:09:17]

A anotação acima se refere a palavra ou frase que não foi possível entender que ocorreu em um turno exatamente na hora 2, aos 9 minutos e 17 segundos de uma gravação de áudio ou vídeo.

Hipótese de escuta

Termos bastante específicos ou palavras estrangeiras que o transcritor/degravador não conhece também podem aparecer como hipótese de escuta.

A hipótese de escuta pode ser uma palavra existente ou algum conjunto de sílabas e fonemas disponíveis na Língua Portuguesa, que vêm acompanhadas de marcação de tempo:

(cauazáqui) [02:09:17]

Pode estar se referindo à Kawazaki Heavy Industries (marca japonesa de máquinas leves e pesadas que fabrica desde motocicletas a navios), mas o transcritor pode não conhecer.

A hipótese de escuta, representada entre parênteses pode auxiliar o advogado e seu cliente a reconhecerem palavras específicas.

Hesitação

Frequentes são os registros de hesitações durante a produção de um discurso. Elas podem ser silenciosas ou sonoras, indicando que há intensa atividade cerebral por uma formulação ou reformulação de ideias na frase do falante.

Pode haver interrupção e continuação de discurso, negação de palavras proferidas anteriormente ou até mesmo interrupção com início de uma nova ideia, onde se abandona a linha de raciocínio anterior.

Normalmente as… serão usadas para representar pausas sonoras ou silenciosas, assim como alongamentos vocálicos.

Pausa silenciosa – indica reformulação de pensamento.

Pausa sonora: outra forma de hesitação

Gaguejos – outra forma de hesitação

Desafios da degravação

A tarefa de degravar/transcrever pode parecer relativamente simples, mas não é trivial. Não se deve em hipótese alguma menosprezar os detalhes. É uma tarefa monótona e cheia de minúcias, onde a pressa e ilusões auditivas ou distrações podem comprometer o conteúdo de uma degravação. É necessário que o transcritor/degravador esteja com o espírito sereno em ambiente propício à concentração.

Crianças pequenas, vizinhança ruidosa, telefonemas diversos, campainhas, visitas, televisão alta, cachorro latindo, papagaio berrando, dor de cabeça, enxaqueca, tersol, resfriado, dor nas costas, preocupações, tudo conspirará contra o trabalho de degravação, principalmente quando se realiza a tarefa em home office.

Falta de luz ou intermitência no sinal de internet, contatos de clientes ou de colaboradores, ou ainda amigos e familiares no WhatsApp, tudo parece conspirar contra um trabalho que necessita de foco e total atenção.

Além dos desafios ambientais presentes no home office, existem também os desafios diversos da própria gravação.

Temos falhas técnicas na gravação, ambiente ruidoso, excesso de sobreposição de vozes (quando há situações de briga ou interação exagerada), presença de poluição sonora, termos estranhos ao transcritor (gírias de favela ou termos excessivamente técnicos, nomes estrangeiros) consistem em dificuldades enfrentadas a cada minuto.

Outro desafio grande é pontuar corretamente as frases de forma que elas representem adequadamente o espírito do discurso presente no áudio ou vídeo, o que foi ouvido e entendido pelo profissional durante o processo de transcrição/degravação.

Os desafios não são poucos, ainda mais quando há também o problema de dicção ruim, fala rápida, sotaque de Portugal, estrangeiros, e até mesmo indígenas.

Um caso interessante foi transcrever a gravação da fala de um índio idoso sem os dentes falando palavras indígenas se referindo a locais específicos da Amazônia onde podem se encontrar frutos e animais exóticos em certo dia de tempestade equatorial com presença de trovões.

Gravações realizadas em ruas movimentadas, cafés lotados ou dispositivo gravador com distância inadequada ou ambiente de vento, tudo isso acaba fazendo com que se leve mais tempo para produzir um trabalho de digitação com maior rapidez.

Especialistas em degravação/transcrição

Ancorado por 7 anos de intensa atividade no ramo, tendo proatividade de interagir com outros tribunais, outros empresários de transcrição de áudio e com um grupo fixo trabalhando junto, acumulamos uma sólida vivência no ramo de degravação/transcrição.

Trouxemos o melhor do mundo acadêmico e através de nossas interações com clientes, conseguimos uma forma madura de degravar/transcrever.

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